12ª Bienal do Mercosul

2020

12ª Bienal do Mercosul

curador

Andrea Giunta

A 12 Bienal propõe elaborar um contrato sensível, uma zona de intercâmbios de visualidades, ações e afetos que permita confirmar a riqueza da vida democrática sem eludir sua complexidade.

Esta bienal instala uma interrogação que remete à fricção central da cultura democrática contemporânea: a participação da sociedade desde o conceito de diferença entendida como multiplicidade.
 

PROYECTO CURATORIAL

Com o título “Feminino(s): visualidades, ações e afetos”, esta bienal instala uma interrogação que remete à fricção central da cultura democrática contemporânea: a participação da sociedade desde o conceito de diferença entendida como multiplicidade e não como separação, tal como o expressou Denise Ferreira da Silva.

Toma também como ponto de partida as perguntas que propôs a teórica Nelly Richard em seu livro Masculino / Femenino (1993), feitas no contexto latino-americano das transições democráticas. As suas interrogações remetem ao lugar social do feminino, suas construções, suas incompatibilidades e o salto sobre as lógicas binárias excludentes. As perguntas têm plena vigência. Particularmente no momento em que o feminino retoma agendas não realizadas desde os anos sessenta, recupera os questionamentos dos noventa e amplia suas urgências como consequência das aumentadas violências contra as mulheres e os coletivos LGBTTQ+; o aumento da pobreza e dos sistemas de exclusão e discriminação; a observação crítica e atenta dos programas que atacam os recursos naturais do planeta.

Destaca a relevância da criatividade para friccionar limites e condicionamentos.
Inspira-se, nesse sentido, em uma frase poética de Carolina Maria de Jesus, camponesa, poeta e cronista afro-brasileira, que abriu interstícios entre o trabalho e o cuidado de seus filhos para escrever. Ela escrevia na riqueza da favela e apesar das limitações impostas por violências raciais (pós)coloniais. Escrevia “Até passar a chuva”. As palavras e as imagens se depositaram em seus papéis desenhando territórios que apontam para uma liberdade possível. Porque a escrita explora os limites que as circunstâncias apontam sobre a linguagem.

A essas condições da criação provavelmente aludia Clarice Lispector quando se referia à tarefa de sulcar impossibilidades: “Tudo o que sei não posso escrever”, escrevia, ao nomear o “luxo do silêncio”. Mais do que a obviedade dos sentidos, deslocados em um tempo no qual se veem reduzidos a lugares comuns, em uma comunicação plana, o diagrama expositivo da bienal aponta para a leitura atenta de uma comunidade interpretativa capaz de abordar um tecido de sensibilidades e discursos que admitem o dissenso como mola da argumentação e da deliberação. Porque, sabemos, é necessário dizer, e explorar as diferentes maneiras de nomear para evitar as classificações uniformes.

Centra-se nas propostas de artistas mulheres e de todas as sensibilidades não binárias, fluidas, não normativas. Sobretudo aquelas que se expressam em sua oposição às mais diversas formas da violência.
Sobretudo aquelas que se expressam em sua oposição às mais diversas formas da violência. Trata-se de envolver-se com as aspirações das maiorias a que muitas obras nos direcionam, e que compreendem artistas afrodescendentes e indígenas, cuja presença segue evocando reflexões críticas no mundo da arte, que, no entanto, é excludente. Trata-se de escutar em detalhe e abordar a sério tudo aquilo que os estereótipos marginalizam. Todas as vozes, desde sua heterogeneidade de respostas e propostas, constituem a cultura.

Expande-se com as propostas de artistas sócios ou aliados, que compartilham o desejo de uma ordem social menos opressiva e discriminatória em termos de gênero.
São muitas as poéticas que inspiram o desenho de um novo horizonte simbólico e cultural em que as diferenças de gênero não se traduzam em desigualdades ou subalternidades. Todas as histórias necessitam ser relatadas e comunicadas para que as narrativas tornem-se plurais.

Enriquece-se com a criação daqueles que trabalham com materiais e técnicas tradicionalmente atribuídos às artes do feminino.
Existe uma criatividade nas formas de conceber o comum desde experiências de vida e relatos cotidianos que devem ser escutadas como vozes de uma diversidade sem diferenças. As experiências que expandem a expressão da comunidade contribuem para a conversa, o intercâmbio e a necessária reconstrução de uma trama social ferida pelo abuso e a precariedade. Essa interação gera intercâmbios a partir dos quais podemos imaginar outras formas de conhecimento. Todas as linguagens nos pertencem sem hierarquias de valor nem segregação de conteúdos.

Aspira a compartilhar o exercício coletivo de inventar novas formas de fazer, dizer, pensar e criar.
Uma plataforma que atue como um foro e como um coro de expressões e escutas. Quer funcionar como um espaço que mude a estrutura tradicionalmente excludente das representações simbólicas e culturais que regem o mundo da arte. A dimensão educativa é central para criar territórios de intercâmbios, debates e encontros entre os diferentes públicos que criarão suas próprias bienais. A bienal propõe-se como um espaço de celebração coletiva do pensar e criar juntos para enfrentar com imaginação crítica os desafios de fortalecer um pacto democrático que amplie e diversifique os contornos da cidadania.

Andrea Giunta

EQUIPO

Curadora-chefe 

Andrea Giunta

Curadoras adjunta

Dorota Maria Biczel

Fabiana Lopes

Curador do 

Programa Educativo

Igor Simões


 

Outros Links

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